sábado, 29 de setembro de 2007

Anexo I

Considerando as críticas e observações em "off" de meus colegas de blog;

considerando que a preguiça, ao fazer um post sem um texto esclarecedor, pode ter-me feito construir uma posição ambígua e;

considerando que é de meu total interesse explicitar minhas opiniões;

venho através deste, dizer com todas as letras que:

não estou cansado pelos mesmo motivos que o "Movimento Cansei";

sou contra o movimento "sou contra a CPMF" e;

minhas vaias não ecoam no mesmo sentido que as do "Movimento Grande Vaia".

E ainda dizer que, minha intensão com esse post preguiçoso era somente provocar a reflexão sobre a evolução de desenvoltura que a direita vem apresentando no decorrer desses tempos.
Uma oposição que pode ser dividida em três momentos:

momento I: da primeira posse de Lula à aparição de Roberto Jefferson.
uma EX-eterna-posição atônita e desconcertada, muito pela falta de prática.

momento II: De Jefferson ao Caos aéreo.
A mídia conservadora (e golpista!), macaco velho, desempenha com admirável desembaraço o papel de oposição, antes e melhor que outros setores.

momento III: pós tragédia da TAM
(momento atual e o qual o post tentou evidenciar)
Diversos setores da direita, nominalmente empresariado, congressistas e a mídia, partem numa agressiva tentando ganhar espaço na opinião pública, com manifestações pseudo-populares, que apelam para a comoção sobre a desinformação.

É isso.

Este texto ja foi postado como comentário.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Cobra criada nunca será cachorro morto!

"comecei a pensar
que eu me organizando
posso desorganizar"

(Chico Science, que me perdoe!
E não deu pra aproveitar
mais nada da letra)


17/08/2007 - Movimento Cansei

5 mil pessoas, segunda o OAB, se se reuniram na Praça da Sé para fazer um minuto de silêncio pelo direito dos brasileiros.


11/09/2007 - Sou Contra a CPMF

Fiesp entrega à Câmara 1,1 milhões de assinaturas contra a prorrogação do imposto.


29/09/2007 - Movimento Grande Vaia


Organização promete uma mobilização nacional, pela ética e pela moral, no próximo dia 29.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

No país do futebol....


No país do futebol hoje é dia de alegria. A seleção feminina venceu a semi-final da copa do mundo, 4 x 0 nos Estados Unidos. Agora disputaremos a grande final contra a Alemanha. E não foi um jogo normal. Marta, a melhor jogadora do mundo, só faltou fazer chover. Fez gol de pé esquerdo, de pé direito, sambou na frente da adversária, deu passes lindos e pra coroar fez uma pintura. O último gol do Brasil foi gol de Pelé, não melhor foi gol de Marta! Indescritível, só vendo. É um daqueles pra se admirar por muito tempo, e nunca esquecer.


Podia ser uma notícia normal, um fato corriqueiro, afinal não somos o país do futebol? Sim, mas do futebol masculino, do vôlei masculino, do basquete masculino, da política masculina, do jornalismo masculino, da televisão masculina, do empresariado masculino e por aí vai. Emoções do futebol como as de hoje tem que ser ainda mais comemoradas, já que as mulheres não têm incentivos, ganham mal, tem na maioria das vezes que conciliar outro trabalho e sequer tem um campeonato nacional. São verdadeiras guerreiras, heroínas. Aliás um perfil da mulher brasileira. Então que nos orgulhemos do futebol feminino, mas que esse orgulho sirva (infelizmente) para expor, ainda mais, o caráter machista do brasileiro.


As mulheres são a maioria da população, ainda assim chegam a ganhar até 40% a menos (ainda mais se forem negras) do que os homens em um mesmo cargo. Tem restrições no mercado de trabalho. Sofrem preconceito da hora que acordam a hora que vão dormir, do carro, passando pelo fogão e pela piadinha sem graça e ofensiva do patrão. Não são reconhecidas como chefes de famílias, não são reconhecidas como mães. Aliás, a sociedade as impõe que mesmo sem sua vontade ou sem ter condições, que sejam mães.

A legalização do aborto talvez seja uma das maiores bandeiras feministas. Ser a favor da legalização, da descriminalização, não significa ser a favor do aborto. Significa compreender este fato como uma questão de saúde pública, de saúde da mulher, sem discursos moralistas e religiosos. Ignorar isso é ser complacente com as milhares de mortes decorridas de operações clandestinas, de “profissionais” incapazes. O aborto é uma realidade brasileira há muito tempo. Mas quem são as mulheres que morrem em mesas de clínicas ocultas? Não precisa nem pensar muito, evidentemente as pobres. Porque as ricas têm totais condições de pagar um excelente hospital particular na zona sul, aonde as leis não chegam como nos demais lugares. Por isso certamente o descaso e a cumplicidade com o problema.


Além de direitos as mulheres brasileiras exigem respeito. Respeito que com uma luta de muitos anos elas tentam alcançar. Respeito que algumas poucas, por atitudes individuais, conseguiram. Mas isso não basta. Enquanto o orgulho for só por uma seleção de futebol ou por uma ginasta olímpica a conscientização do papel da mulher da sociedade não será revisto. Que estas apareçam muito mais, rompam com paradigmas, quebrem estruturas e façam valer sua voz. Eu queria a Marta no meu time, mas queria também mais mulheres no parlamento, mais mulheres nos ministérios, uma chefe mulher e quiçá, logo logo, uma mulher na Presidência da República.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Escola pra quê?



Entrou em vigor um decreto do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), onde os alunos de 6ª, 7ª e 8ª séries do ensino fundamental ganham premiações em dinheiro dependendo do seu rendimento escolar. Os valores são calculados entre dois e doze salários mínimos, podendo chegar então a R$ 4560,00 no final dos três anos. As gratificações são correspondentes aos conceitos “Muito Bom” conseguidos pelos alunos. Além do dinheiro os estudantes também terão prioridade em futuros estágios na prefeitura. O sindicato de professores questiona o decreto, ou seja, ai vem polêmica, e das boas.


A prefeitura alega que esta é uma medida para diminuir a evasão escolar, o sindicato contrapõe dizendo ser mais uma posição para incorporar o sistema de progressão automática, da qual os professores são contrários. Extrapolemos estes dois pontos, sem é claro nega-los. A primeira questão negativa, a meu ver, é o incentivo da competição entre crianças. Não é justo incitar meninos e meninas de 12 a 15 anos a uma competição constante da qual, muita das vezes, o sustento de suas casas estará em jogo. Muitos podem dizer que o mundo atual é competitivo, que é individualizado. Por mais que eu seja contrário a isso negar essa situação, infelizmente, não é real. Mas justamente por isso a escola deve ser o lugar de romper este status. Para conseguir romper com essa individualidade o caminho passa, necessariamente, pela escola. Os estudantes devem aprender a trabalhar em conjunto, se organizar em sociedade, praticar a solidariedade e prezar, sempre, a igualdade. Utópico? Pode até ser, mas não no sentido de utopia como inalcançável, é sim no sentido de sociedade a ser desejada, seja qual for o caminho. Claro que nesse caso o caminho é árduo, mas colocar estas crianças em mais uma disputa contínua não contribui em nada para tal, ainda mais com dinheiro em jogo.


Como sabemos a maioria dos pais que tem filhos em escolas municipais do Rio vivem em difícil situação financeira. Este repasse pode gerar uma cobrança excessiva destes pais com os estudantes, transferir a responsabilidade econômica do lar para estes, e devido a pouca estrutura familiar (em alguns casos) incitar a violência em caso de um “não sucesso” do filho. A pressão para estas crianças será muito grande, extrapola o que podemos entender por incentivo. É uma maneira de antecipar a forte pressão que sofrem os alunos do Ensino Médio, por causa do vestibular ou do mercado de trabalho, para o Ensino Fundamental.


O que diminui evasão escolar é o interesse do estudante com a escola e a condição de sua família se manter sem que as crianças trabalhem. É fazer entender que uma boa base escolar é imprescindível para, quando adultos, conseguirem um bom trabalho e levar uma vida melhor. O dinheiro destinado aos “prêmios” seria mais bem investido na estrutura das escolas, na preparo e salários dos professores e em programas sociais que proporcionasse a família do aluno a ter trabalho e conquistar sua autonomia. Mas será que estes valores dos “prêmios” seriam suficiente para tudo isso? Pode até ser que não. Mas o que questiono não são os valores, e sim o projeto, a concepção de educação, as prioridades.


O abismo existente entre escola privada elitizada e escola pública pobre, pode ter mais um elemento. Na própria escola pública haveria sua elite. Não que isso não ocorra, mas a partir de então essa discrepância seria uma política pública de Estado. Isolar, em seu próprio meio, os que valem a pena o Estado investir e os que não valem. Além do sistema e da sociedade capitalista selecionar seus privilegiados, selecionam também os privilegiados entre os menos favorecidos. Muito complexo não? Nunca esquecendo, sendo repetitivo, que estamos falando de crianças. Não acredito que tudo isso não foi levado em conta pelos formuladores de tal medida. Pelo contrário, como pessoas muito inteligentes que são (por exemplo, o prefeito) me fazem pensar que tudo isso foi analisado, e justamente por incentivar esse individualismo, essa competição, o separatismo e a pressão essas medidas foram adotadas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Censura!


Vivemos em uma democracia. Até que ponto? Erroneamente achamos que o período ditatorial a pouco vivido está superado, mas não é bem assim. Um exemplo é a censura. Claro que os meios mudaram, na ditadura militar era uma política de governo, que impunha aos meios de comunicação (pelo menos a aqueles poucos que eram contrários ao regime) as informações e pontos de vista que eram passados para a sociedade, privando (dificultando) essa de formar sua opinião. Hoje ainda existe a censura, embora com os mesmos objetivos usando outra lógica. Os meios de comunicação (a maioria) trazem (ou escondem, depende do interesse) informações tendenciosas, contrárias ao governo, e com objetivo de manipular a população. Quando uma ferramenta que não é a mídia opta pela formação e informação ela não se contém: censura.

Essa reflexão, que pode ser generalizada, tem um fato específico. No jornal O Globo de 18/09/2007 o jornalista e diretor executivo da Rede Globo Ali Kamel escreve um artigo questionando o livro didático Nova História Crítica, da editora Nova Geração e de autoria do historiador Mário Schmidt. Questiona não, censura. Qualificando como “ridículo manual de catecismo marxista” Kamel além de ignorar o conteúdo da obra a desqualifica. Usa um dos meios de comunicação de mais abrangência do país para fazer uma campanha explícita contra o livro. Isso porque a obra não é mais um manual de história conservador, segue o caminho oposto, tenta trazer sempre o aluno a reflexão e aborda diferentes pontos de vista.


Nova História Crítica é amplamente adotado na 8ª série do ensino fundamental. Os professores, com a autonomia que tem, reivindicaram ao MEC que o livro fosse um dos que o ministério disponibilizasse aos alunos. Além de conspirar contra a editora e o autor do livro, Ali Kamel desrespeita a soberania e autonomia dos profissionais da educação. Querendo que o catecismo fosse em outro rumo assina um atestado de arrogância ao achar ser superior aos demais, interferindo diretamente em assuntos que não são de sua competência.


Aliás, mesmo os que deveriam ser de sua alçada não desempenha com louvor, muito pelo contrário, não tem escrúpulos, ética e comprometimento com a verdade. Quem não se lembra de seu artigo racista contra as cotas em universidades? Conheço algumas pessoas contrárias as cotas, apesar de ser totalmente a favor não questiono (nesse momento) os méritos, e sim os argumentos. A versão mais moderna da censura brasileira usa a credibilidade (totalmente questionável) de um grande jornal para desqualificar um livro didático. Uma lógica minuciosamente elaborada, que pega a base do problema. Afinal são os mesmos alunos de 8ª série que estudam com um livro que questiona e propõem a crítica que no futuro próximo serão os leitores dos jornais. Tendo uma boa formação em sua base não serão expectadores passivos de uma imprensa rancorosa, covarde e golpista como a de hoje. Terão todas as condições de tirar suas próprias conclusões, princípio inaceitável a censura. Sabendo disso a direita não tem dúvida, corta pela raiz. Leva-nos a crer que gostaram da experiência, quem ontem foi censurado censura hoje.


A nota da editora Nova Geração e do historiador Mário Schmidt que comenta o artigo de Kamel foi publicada no sítio do PT. Para ler na íntegra clique aqui.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Notícias de uma guerra pública


"Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar pela favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o satanás

(Coro cantado pelos policiais do filme. De ficção)

O site oficial do novo filme de José Padilha, Tropa de Elite, anúncia a estréia nos cinemas no dia 12 de outubro. No entanto uma versão do longa já foi massivamente divulgada através de pirataria e internet. O caso chama a atenção particularmente pela pirataria ter sido acompanhada de seqüestro da equipe produtora e roubo das cenas, ainda não editadas, o que sustenta a tese de que o filme que está em circulação não teria sido finalizado e não seria, portanto, a versão “oficial”.

Pano pra manga, só este parágrafo nos dá pelo menos uma meia dúzia de assuntos polêmicos a serem seriamente debatidos. Isso porque ainda não chegamos ao conteúdo do roteiro. E é justamente sobre ao que o filme fala que vou me prender, a meia dúzia fica pra próxima.

Tropa de Elite (a edição disponível) expõe – através do drama pessoal de um comandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE) que quer deixar o cargo, dentre outras coisas pela paternidade, e precisa, para tanto, preparar um substituto a altura – a complexa trama que se estabelece entre PM, BOPE, traficantes, sociedade “do morro” e sociedade “do asfalto” quando uma situação de extrema desigualdade social como a brasileira desemboca em quadros de violência e narcotráfico como no Rio de Janeiro.

O diretor afirma, segundo o site da Globo, não ter gostado da edição disponível. Penso que se Padilha conseguir mostrar mais do que já foi visto terá em mãos uma grande obra. Só o material que já está circulando já merece os parabéns. Tanto os produtores, como os editores, sejam eles quem for.

O filme é denso, aborda diversos pontos e provoca o tempo todo. Fala de violência, corrupção e tortura em instâncias muito mais próximas e cotidianas que costuma-se falar, de modo que incomoda uma sociedade que está acostumada a só se incomodar quando o problema bate à sua porta. E verdadeiramente, o problema está em nossas portas.

Faz perguntas que geralmente não são feitas e que por isso não se chega a respostas. Mas, mais que isso, mostra que mesmo quando nos perguntamos e buscamos estas respostas, esse caminho já não é tão fácil ou tão curto. Sem caricaturizações ou sensacionalismo, o filme tenta passar que o problema é extremamente complexo e delicado.

Assistam. Recomendo. Se não gostarem do filme, que pelo menos desgostem da realidade em que ele se baseia.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Por quê Voz Chinfrim?


Recebi a dura missão de escrever meu primeiro post para o blog de opinião mais recente da NET e a primeira coisa a se pensar é o que vou escrever. Como não posso decepcionar os companheiros que são Ponta Firme (ver o primeiro Post do blog) o assunto tem que ser muito interessante. E o que é mais interessante que a nossa incursão na rede (ainda mais pra mim que nem MSN tenho).

Pra falar desse riquíssimo espaço virtual tenho que destacar algumas coisas. PRIMEIRO se você é daquelas pessoas que não tem a menor paciência para discutir a situação do Brasil e do mundo, levar um papo cabeça sobre literatura ou cinema, debater a finco grandes questões políticas, esse blog não é pra você. AGORA se vc já tem um pezinho nestes temas, por favor, vamos transformar mais um cantinho da rede em um grande espaço de debates, esperamos com certeza a sua opinião em todos as nossas postagens. Vale lembrar que este BLOG é antes de tudo uma foto virtual de três amigos, é um Blog de IDENTIDADE, por isso resolvemos soltar nossa VOZ CHINFRIN na NET para que seja escutada do outro lado do computador por todos: conhecidos e desconhecidos.

Pra terminar gostaria de mandar um pequeno recado: MARÍLIA (LILA), apesar de vc não responder meus e-mails eu te adoro mesmo assim. Se cuida ai no Sergipe viu, que nós aqui de Minas estamos bem, tirando a saudade.