quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Eu não leio a Veja.


Todos nós sabemos o nível e o comprometimento da grande mídia brasileira. Sabemos também a origem dos grandes impérios da imprensa e o nicho seleto a qual seus proprietários pertencem. Mesmo assim continuam exercendo total influência na sociedade e em governos.


Sabemos disso tudo. Alguns procuram meios alternativos para tentar continuar mantendo-se informados. Mas é difícil nos desvincular da tradicional e massiva grande mídia. Eu tomei uma atitude há quase quatro anos atrás: não leio a Veja e não vejo Jô Soares. Continuo sim lendo a Folha de São Paulo (diariamente), O Estado de São Paulo, O Globo, Época e Isto É (estes não com uma regularidade muito boa) e vejo (quase diariamente) o Jornal Nacional.


Já recebi alguns questionamentos sobre isso. Principalmente de duas formas: você não esta sendo contraditório em excluir só a Veja e o Jô? E outra do tipo que temos sim que ver e ler de tudo, afinal são estes os formadores de opinião então temos que ter clareza do que dizem para combater o inimigo. Respondo a primeira questão com a segunda. Para saber o que “eles” dizem contemplo o restante da mídia golpista. E porque não a Veja e o Jô? Estômago. Não tenho mais a menor condição física de encarar isso. Já passei mal o suficiente com estes dois, simplesmente não desce mais. É uma questão pessoal, não quero dizer pra ninguém tomar a decisão que tomei, peço sim para sempre questionar suas fontes e identificar a quem elas servem.


Toco nesse assunto porque lendo a Agência Carta Maior (que é um exemplo excelente de mídia alternativa) fico sabendo que a Veja dessa semana fez uma reportagem sobre os 40 anos da morte do Che. Não preciso ler a revista pra saber que tal reportagem tem o objetivo claro de acabar com o mito. A Agência traz uma análise do jornalista Celso Lungaretti, quem quiser pode ler aqui.


Peço aos amigos e amigas do blog que ainda conseguem ler a Veja que compartilhem comigo, e com todos, suas opiniões sobre essa matéria. Parece que a revista, como é de praxe, consegue “desconstruir” o trabalho de anos de vários pesquisadores em poucas páginas, impondo a Guevara a imagem de assassino sanguinário a troco de nada. Que arrogância. Ainda bem que eu parei a tempo.

7 comentários:

Jayme disse...

Sabemos que todos meios de comunicação são parciais, mas a Revista Veja conseguiu ir além. Com o financiamento da CIA (Centro de Inteligência Americano). Assim, como o amigo Sávio, não leio mais a VEJA, ressalvo em espera nos consultórios médicos, não passo mal quando leio, mas para que perder tempo. Meu tempo já é pequeno, e quando o perco, é melhor ir tomar uma breja.

N. Real disse...

Eu também não leio a Veja, não sei da matéria. Posso dizer que já fui um pouco afim de Che Guevara!

Sávio disse...

Saiu tambem essa semana, no jornal cubano Granma, uma noticia emocionante. Em um hospital boliviano, doado pelo governo cubano, medicos recuperam a vista de Mario Terán, o homem que a sangue frio e a mando da CIA, matou Ernesto Guevara. Médicos cubanos, de graça, operaram o assassino de um dos maiores mitos de seu país. Sem revenchismo, sendo acima de tudo profissionais, humanos e solidarios.

N. Real disse...

E Renan já começou a jogar merda no ventilador. No Canal Aberto (band) nesse domingo, enumerou diversas acusações sofridas pela Veja e uma possível CPI que está dando muita polêmica no Congresso.

nilo disse...

Saviola, como você bem sabe, me incluo nesse segundo grupo, que acredita importante acompanhar a Veja.
Deixo claro, antes de tudo, que não vejo incoerência na sua posição, tanto por te conhecer, como por conhecer a revista em questão.
Mas porque acho importante acompanhar a Veja?
Percebam que não posso me considerar um leitor de Veja. Vejo a Veja. Acompanho o que fala e sobre o que fala.
A tal revista atingiu tamanha respeitabilidade no país que, mais que qualquer outro orgão da imprensa, tem o preivilégio de fazer verdadeiro tudo o que publica.
Veja é usada frequentemente no congresso nacional, embasando e justificando posicionamentos e atitudes de nossos representantes políticos.
Acho fundamental acompanhar Veja, pelo sua profunda influência na formação da classe média e de frações de outras classes diretamente influênciadas por esta.
É igual ao JN? Não. Atingem setores não perfeitamente coincidentes. E, embora o JN, seja mais abrangente, considero o público de Veja especialmente estratégico por ser formador de opinião.
Confesso também não ter mais a mesma paciência com a revista. Mas continuo julgando importantesaber o que ela diz.
Quanto a última capa (Guevara), uma coisa me chamou a atenção. Embora ainda não tenha lido a reportagem e portanto não tenha tanta propriedade para afirmar, pelo que sondei não há nenhum fato novo, nenhuma revelação, nenhum novo estudo que justifique um semanário que vive de atualidades explorar tal tema.
Muito diferente seria usar a Super Interessante para lançar uma matéria do tipo.
Lançando esse tipo de conteúdo em Veja, a editora Abril explicita um combate ideológico que no dia-a-dia das notícias semanais passa camuflado.
É possivel até mesmo fazer uma ligação com a questão sobre o livro "censurado" pelo Kamel (vide posts "Censura" e "O assunto rendeu"). E não sou eu quem faço tal ligação e sim Diogo Mainardi, colunista de Veja, no site da revista (recomendo, lembrando que seu acesso vai entrar nas estatísticas apontando o sucesso do insuportável comentarista, é divertidissímo).
Depois de Lula, a Veja caiu muito. Abaixou muito o nível. Franklin Martins disse em entrevista a Caros Amigos, sobre a postura da Veja no ano eleitoral: "não entendo por que a Veja fez isso com a Veja".
Ainda assim, defendo que seu poder justifica nos preocuoparmos com o que diz.

Anônimo disse...

Só pra marcar!!!! Li a reportagem e venho coroborar com o que nilo disse sobre fatos novos. Não há nada de novo no front, é apenas uma necessidade encontrolada dos meios golpistas e direitosos de tentarem colocar a culpa de tudo em figuras lendarias e honradas da esquerda, assim tentam deruba-lás. Daqui a pouco vao disser que Fidel ou Chaves mataram Jesus Cristo.

nilo disse...

Meu Deus! Para quem não lê ou ainda lê Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e outros, percam um minuto de seu tempo e, quiçá, seu apetite lendo as cartas dos leitores desses veículos. É muito, muito pior.
Hoje folhei a Folha de manhã e não almocei.
Um abraço.